18/05/2011
21/03/2011
NESTE DIA TÃO ESPECIAL ...
Canção à Ausente
Para te amar ensaiei os meus lábios...
Deixei de pronunciar palavras duras.
Para te amar ensaiei os meus lábios!
Para tocar-te ensaiei os meus dedos...
Banhei-os na água límpida das fontes.
Para tocar-te ensaiei os meus dedos!
Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!
Pus-me a escutar as vozes do silêncio...
Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!
E a vida foi passando, foi passando...
E, à força de esperar a tua vinda,
De cada braço fiz mudo cipreste.
A vida foi passando, foi passando...
E nunca mais vieste!
Pedro Homem de Mello
29/07/2010
18/05/2010
PARA QUEM É...
FELIZ DIA
Feliz dia para quem é
O igual do dia,
E no exterior azul que vê
Simples confia!
Azul do céu faz pena a quem
Não pode ser
Na alma um azul do céu também
Com que viver
Ah, e se o verde com que estão
Os montes quedos
Pudesse haver no coração
E em seus segredos!
Mas vejo quem devia estar
Igual do dia
Insciente e sem querer passar.
Ah, a ironia
De só sentir a terra e o céu
Tão belo ser
A alma p’ra os ter!
Fernando Pessoa
27/04/2010
0... 1... 2... !!!
Adoração
Eu não te tenho amor simplesmente. A paixão
Em mim não é amor; filha, é adoração!
Nem se fala em voz baixa à imagem que se adora.
Quando da minha noite eu te contemplo, aurora,
E, estrela da manhã, um beijo teu perpassa
Em meus lábios, oh! quando essa infinita graça
do teu piedoso olhar me inunda, nesse instante
Eu sinto – virgem linda, inefável, radiante,
Envolta num clarão balsâmico da lua,
A minh'alma ajoelha, trémula, aos pés da tua!
Adoro-te!... Não és só graciosa, és bondosa:
Além de bela és santa; além de estrela és rosa.
Bendito seja o deus, bendita a Providência
Que deu o lírio ao monte e à tua alma a inocência,
O deus que te criou, anjo, para eu te amar,
E fez do mesmo azul o céu e o teu olhar!...
Guerra Junqueiro
29/07/2009
LUZ CRISTALINA


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Beleza
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Vem do amor a Beleza,
Vem do amor a Beleza,
Como a luz vem da chama.
É lei da natureza:
Queres ser bela? - ama.
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Formas de encantar,
Na tela o pincel
As pode pintar;
No bronze o buril
As sabe gravar;
E estátua gentil
Fazer o cinzel
Da pedra mais dura...
Mas Beleza é isso? - Não; só formosura.
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Sorrindo entre dores
Ao filho que adora
Inda antes de o ver
- Qual sorri a aurora
Chorando nas flores
Que estão por nascer –
A mãe é a mais bela das obras de Deus.
Se ela ama! - O mais puro do fogo dos céus
Lhe ateia essa chama de luz cristalina:
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É a luz divina
Que nunca mudou,
É luz... é a Beleza
Em toda a pureza
Que Deus a criou.
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Almeida Garrett
05/06/2009
21/03/2009
NESTE TEU DIA...
Num exemplar das Geórgicas
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Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais.
Tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia.
.
Eugénio de Andrade
Num exemplar das Geórgicas.
Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais.
Tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia.
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Eugénio de Andrade
29/07/2008
PARA TI... COM PERFUME!
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(29 de Julho de 2008)
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Foi para ti que criei as rosas.
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Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei ás romãs a cor do lume.
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Eugénio de Andrade
09/06/2008
SÊ FELIZ SEM BARREIRAS

Helena Guimarães
(9.06.2008)

A Ave
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Voava em voo rasante
como se nesse instante
trouxesse o peso da vida inteira.
Pousou na areia suave
aquela pequena ave
de cabeça altaneira.
Correu, picou aqui e além
com a agitação de quem
está atenta, mas ansiosa.
Foi marcando a areia lisa
de marcas suaves, que a brisa
ia apagando criteriosa.
Sumiam as marcas na areia
e as minhas, da vida inteira
fugiam na brisa cálida.
A alma, plena de mar
leve, partiu a voar
deixando a velha crisálida.
Voou a andorinha no céu,
como fosse reino seu,
as alturas conquistando.
Teceu bordados no ar,
perdeu-se para lá do mar,
livre, sempre voando.
A par da pequena ave
cruzei mar sem bote ou nave,
subi no azul sem fronteiras,
saltei no algodão das nuvens,
sequei ao sol as penugens,
fui livre e feliz sem barreiras.
como se nesse instante
trouxesse o peso da vida inteira.
Pousou na areia suave
aquela pequena ave
de cabeça altaneira.
Correu, picou aqui e além
com a agitação de quem
está atenta, mas ansiosa.
Foi marcando a areia lisa
de marcas suaves, que a brisa
ia apagando criteriosa.
Sumiam as marcas na areia
e as minhas, da vida inteira
fugiam na brisa cálida.
A alma, plena de mar
leve, partiu a voar
deixando a velha crisálida.
Voou a andorinha no céu,
como fosse reino seu,
as alturas conquistando.
Teceu bordados no ar,
perdeu-se para lá do mar,
livre, sempre voando.
A par da pequena ave
cruzei mar sem bote ou nave,
subi no azul sem fronteiras,
saltei no algodão das nuvens,
sequei ao sol as penugens,
fui livre e feliz sem barreiras.
Helena Guimarães
05/06/2008
18/05/2008
ELAS E EU






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Motivo da Rosa
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Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
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Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
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Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
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E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
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Cecília Meireles
27/04/2008
21/03/2008
NESTE DIA MUNDIAL DA POESIA...
Lembremos os nossos Poetas!

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Ser poeta
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Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
.
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
.
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
.
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Florbela Espanca
Lembremos os nossos Poetas!

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Ser poeta
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Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
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É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
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É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
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Florbela Espanca
19/03/2008
NESTE DIA DO PAI...
(Para te ter comigo... com que prazer me desfolhava!)

(Para te ter comigo... com que prazer me desfolhava!)

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com que prazer me desfolhava,
já que a vida é tão dolorosa
e não te sei dizer mais nada!
Se eu fosse apenas água ou vento,
Se eu fosse apenas água ou vento,
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida!
Perdoa-me causar-te a mágoa
Perdoa-me causar-te a mágoa
desta humana, amarga demora!
– de ser menos breve do que a água,
mais durável que o vento e a rosa...
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Cecília Meireles
29/07/2007
A UMA PRINCESA DESCONHECIDA
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Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos.
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Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição!
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição!
.................
Sophia de Mello Breyner Andresen
09/06/2007
INSTANTES
(Luísa Castel-Branco, apresentadora de televisão e escritora)
QUE FAZER?
Para onde partiram os amigos, os amantes, os abraços de carinho, os risos?
Para onde foram os sonhos, todas as promessas depositadas no nosso colo quando éramos tão inocentes, as esperanças adoçadas nos anos verdes pelas histórias mágicas dos príncipes encantados do “para sempre felizes”? Onde ficaram as noites mágicas de palavras sussurradas ao ouvido, com um céu estrelado e o algodão doce da feira, as rifas, as farturas que lambuzavam os dedos e derretiam o coração? Por que caminhos ínvios, negros e dispersos nos perdemos todos, como se hoje estivéssemos aqui numa terra desconhecida, rodeados de gente desconhecida, sem raízes, sem memórias?
As esperanças rasgadas e deitadas ao vento e o vento leva as palavras para terras onde ninguém as entende e, por isso, estamos rodeados deste silêncio ensurdecedor.
Percorremos os dias repetindo os gestos, mas, quando deitamos a cabeça na almofada, a dor no corpo tolhe-nos, a solidão tem cheiro e peso e nada nos vale, nem quando outro corpo dorme a nosso lado.
Que fazer com o resto dos dias, com o resto das ilusões manchadas de rugas, de desilusões, da longínqua recordação do que um dia foi?
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Para onde partiram os amigos, os amantes, os abraços de carinho, os risos?
Para onde foram os sonhos, todas as promessas depositadas no nosso colo quando éramos tão inocentes, as esperanças adoçadas nos anos verdes pelas histórias mágicas dos príncipes encantados do “para sempre felizes”? Onde ficaram as noites mágicas de palavras sussurradas ao ouvido, com um céu estrelado e o algodão doce da feira, as rifas, as farturas que lambuzavam os dedos e derretiam o coração? Por que caminhos ínvios, negros e dispersos nos perdemos todos, como se hoje estivéssemos aqui numa terra desconhecida, rodeados de gente desconhecida, sem raízes, sem memórias?
As esperanças rasgadas e deitadas ao vento e o vento leva as palavras para terras onde ninguém as entende e, por isso, estamos rodeados deste silêncio ensurdecedor.
Percorremos os dias repetindo os gestos, mas, quando deitamos a cabeça na almofada, a dor no corpo tolhe-nos, a solidão tem cheiro e peso e nada nos vale, nem quando outro corpo dorme a nosso lado.
Que fazer com o resto dos dias, com o resto das ilusões manchadas de rugas, de desilusões, da longínqua recordação do que um dia foi?
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(Luísa Castel-Branco, apresentadora de televisão e escritora)
Fotografia de Pé de Salsa
18/05/2007
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